1. EDITORIAL 21.8.13

"AS GRADUAES DA CORRUPO"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Os problemas da corrupo  brasileira, predatria e escancarada, so deflagrados em primeiro lugar pela recorrente sensao de impunidade dos envolvidos. Em segundo, pelo invarivel comportamento das autoridades de encararem como normal, corriqueira e disseminada a prtica. E, portanto, inevitvel e incorrigvel. O governador de So Paulo, Geraldo Alckmin, acuado e cobrado pela longa e extensa folha de malfeitos nos contratos de metr e trens do Estado  onde ele atua desde 1995, perodo no qual o esquema de cartel se estabeleceu e ganhou foras , saiu-se na semana passada com mais uma prola, distorcida, do pensamento pavloviano de ato repetitivo. Segundo ele, no houve cartel s em So Paulo. Ocorreram irregularidades em licitaes de transporte e energia em diversos outros Estados. Donde decorre, na linha de raciocnio, que a situao  usual, comum e passvel de funcionar s vistas dos responsveis  e vem trazendo compensaes a ambos os lados metidos na tramoia. Atribuindo o escndalo estadual a usos e costumes, Alckmin voltou a repetir Lula. Esse consagrou o mantra do todo mundo faz quando se referia ao mensalo petista. Ambos tentaram assim diluir o peso de suas responsabilidades e no trataram devidamente da sujeira no seu quintal. Os dois recorreram, cada um a seu tempo, ao expediente de alegar falta de provas quando elas se avolumavam.

 Na disputa poltica pela paternidade de corrupes menores, ou maiores, quem perde  a sociedade. Para efeito da lei, no existem evidentemente graduaes nesse tipo de matria. Roubo  roubo, passvel de condenao e ponto. Seja o praticado por um ladro de galinhas ou de um cofre de banco. O objeto alvo ou o montante do surrupiado no esto em discusso, muito menos a orientao que o motivou. Certos defensores da tese de uma hierarquia nos escndalos chegam a sugerir que  impossvel ao PSDB igualar o arquirrival PT e seus aliados nesse pormenor. Subestimam a capacidade e a criatividade de nossos agentes pblicos. No se trata de um certame, gincana ou peleja entre legendas. Seria lamentvel acreditar que assim fosse. Como bem disse o novo ministro do STF, Luis Roberto Barroso (foto), em sua fala na quarta-feira passada na bancada do Tribunal, a corrupo  uma tradio no Pas, no importando a colorao partidria de quem ocupa o poder. Da mesma forma, Barroso no atribui maior ou menor gravidade a esse ou quele episdio de corrupo. Tudo  uma questo de caso mais ou menos investigado, diz ele. Eis o novo paradigma que se apresenta sobre o assunto. A improbidade administrativa  um mal em si que deve ser extirpado a qualquer preo, sob pena de minar a credibilidade no sistema. Ainda nas palavras do ministro, o modelo brasileiro produz a criminalizao da poltica e s uma reforma de fundo pode colocar fim ao crnico processo. So sbias palavras!

